Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande – FURG: uma história construída pelo cuidado
Conheça a trajetória da Escola de Enfermagem, resgatando a memória de um grupo social situado num espaço e tempo específico, reconstituindo o passado através da narração histórica de seus acontecimentos e preservando a história de quem a construiu.
O site pretende viabilizar a apresentação do nosso Núcleo de Memórias e uma reflexão sobre a evolução da profissão, destacando conquistas, desafios e transformações ao longo dos 50 anos de história, reafirmando o compromisso do curso com a formação de profissionais humanizados e preparados para os novos desafios da saúde contemporânea.
Da criação do curso à consolidação de uma Escola: cinco décadas de ensino, pesquisa, extensão e compromisso social
Contar a história da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande – FURG é contar mais do que a trajetória de um curso de graduação. É reconstruir a história de um grupo de pessoas que, ao longo de cinco décadas, transformou sonhos em projetos, projetos em instituições e instituições em práticas de cuidado.
É também reconhecer que a história da Enfermagem na FURG se entrelaça profundamente à história da cidade do Rio Grande, de seus serviços de saúde, de seus hospitais, de sua rede básica e, posteriormente, do Sistema Único de Saúde. Ao longo desse percurso, professores, estudantes, técnicos-administrativos, enfermeiros dos serviços de saúde, gestores e comunidade foram construindo, coletivamente, uma identidade acadêmica e profissional que hoje ultrapassa as fronteiras da região.
A história que se apresenta a seguir não é, portanto, apenas uma sucessão de datas. É a memória de uma construção coletiva.
Linha do tempo
1975: Nasce um projeto para a Enfermagem no extremo sul do Brasil
Em 20 de agosto de 1975, o Conselho Universitário da então Universidade do Rio Grande autorizou a criação do Curso de Enfermagem e Obstetrícia. A decisão ocorreu em um contexto nacional de expansão da formação universitária em Enfermagem e de necessidade de ampliar o número de profissionais qualificados para atuar na saúde.
A proposta respondia também a uma necessidade regional. Naquele momento, não existiam cursos de graduação em Enfermagem no extremo sul do país. Para quem desejasse cursar Enfermagem em nível superior, a referência mais próxima encontrava-se em Porto Alegre. A criação do curso em Rio Grande significava, portanto, democratizar o acesso à formação profissional e contribuir para enfrentar a escassez de enfermeiros na região.
A iniciativa contou com o apoio do Ministério da Educação e Cultura e foi apresentada, no âmbito institucional, pelo professor Paulo Sérgio Gonçalves, durante a gestão do reitor Eurípedes Falcão Vieira. A implantação exigiria, entretanto, muito mais do que uma decisão administrativa: seria necessário criar uma estrutura acadêmica praticamente do início, reunir professores especializados e construir campos para o ensino prático.
1976: Os primeiros estudantes e a Santa Casa do Rio Grande
As atividades acadêmicas tiveram início no primeiro semestre de 1976. Naquele momento, ainda não existia um Departamento de Enfermagem. Os docentes enfermeiros eram vinculados a diferentes departamentos da Universidade, uma característica que acompanharia o curso durante seus primeiros vinte anos.
A implantação ocorreu em estreita parceria com a Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande. A instituição hospitalar realizou adequações em seus espaços para atender às exigências do Ministério da Educação e possibilitar o funcionamento do Hospital de Ensino.
A Santa Casa tornou-se, assim, o primeiro grande cenário de formação dos estudantes. As disciplinas teóricas, a biblioteca, o laboratório de procedimentos de Enfermagem e a coordenação do curso funcionavam no espaço denominado “anel externo”. As atividades práticas eram desenvolvidas nas unidades de internação, entre elas a Maternidade, a Pediatria, o Centro Cirúrgico e as unidades São Lucas I e II.
Era uma formação realizada em meio à própria realidade dos serviços de saúde. O estudante aprendia a profissão convivendo com pacientes, equipes e situações concretas de cuidado. Ainda neste ano, o Hospital de Ensino passou a denominar-se Hospital de Ensino Prof. Miguel Riet Corrêa Jr., nome que posteriormente permaneceria associado ao Hospital Universitário da FURG.
Os pioneiros: pessoas que ajudaram a construir o início
Toda instituição possui documentos, prédios, regulamentos e datas. Mas nenhuma instituição existe sem pessoas. A implantação do Curso de Enfermagem da FURG contou com um grupo pioneiro de docentes que assumiu o desafio de construir uma formação universitária em Enfermagem em uma cidade que ainda não possuía essa tradição acadêmica. Entre esses pioneiros destacou-se a professora Hedi Crecencia Heckler de Siqueira, que chegou à Universidade no primeiro semestre de 1976. Lotada inicialmente no Departamento de Administração, Ciências Econômicas e Contábeis, sua formação em Administração Hospitalar foi considerada fundamental para o desenvolvimento inicial do curso.
Também integraram o quadro inicial de docentes Valéria Lerch Lunardi, Wilson Danilo Lunardi Filho e Vera Lúcia de Oliveira Gomes, contratados em regime de tempo integral, além da importante contribuição da professora Zulma Guimarães Neto. Esses profissionais participaram de um momento em que era necessário construir simultaneamente o ensino, a organização acadêmica, os campos de prática e a própria identidade da Enfermagem universitária na região. A Atuação histórica desses primeiros professores permite compreender que a consolidação do curso não ocorreu de forma automática. Ela foi resultado de trabalho, articulação institucional, compromisso e persistência.
1979: o reconhecimento oficial
Depois de três anos de implantação e funcionamento, o Curso de Enfermagem e Obstetrícia foi oficialmente reconhecido pelo Decreto nº 1.223/79, publicado no Diário Oficial da União em 18 de dezembro de 1979. O reconhecimento representou um marco decisivo, a existência do curso deixava de ser apenas uma iniciativa recente e passava a integrar formalmente o sistema nacional de formação superior em Enfermagem. A partir desse período, ampliaram-se também os vínculos com os serviços de saúde do município. A formação deixava progressivamente de estar concentrada no ambiente hospitalar e começava a incorporar de forma mais sistemática a atenção básica.
A aproximação com a comunidade: da assistência hospitalar à rede básica
Um dos aspectos mais significativos da história da Enfermagem na FURG foi a compreensão de que a formação do enfermeiro não poderia limitar-se ao hospital. Dai, a inserção na rede básica de saúde ocorreu inicialmente por meio da disciplina “Criança Sadia”, cujas atividades práticas eram realizadas no Posto Dra. Rita Lobato. A experiência abriu caminho para uma relação cada vez mais estreita entre a Universidade e a Secretaria Municipal da Saúde, parceria esta que, ao longo dos anos, possibilitou a realização de estágios, atividades práticas, projetos de extensão e ações educativas nas unidades básicas e, posteriormente, nas Unidades Básicas de Saúde da Família.
Essa aproximação com os territórios tornou-se uma das características importantes da formação na FURG: ensinar Enfermagem não apenas para o hospital, mas para a vida das pessoas em seus diferentes contextos sociais. Posteriormente, iniciativas como PET Enfermagem, PET Saúde, Saúde e Prevenção nas Escolas, Viver Mulher e programas de educação permanente ampliaram essa integração entre ensino, serviço e comunidade.
1988: o Hospital Universitário e uma nova etapa
Em 7 de dezembro de 1988 foram inauguradas as instalações básicas do Hospital de Ensino Prof. Miguel Riet Corrêa Júnior, resultado de um longo processo de mobilização institucional. A construção do Hospital Universitário foi um projeto sonhado e defendido por diferentes segmentos da FURG e contou com participação especialmente significativa de docentes enfermeiros. A própria história do hospital registra a presença de enfermeiros em sua primeira direção, ocupando funções de administração, direção de Enfermagem e direção de apoio.
A criação de um espaço próprio para o ensino, a pesquisa e a assistência modificou profundamente as possibilidades de formação dos estudantes da área da saúde. Para a Enfermagem, significou a possibilidade de desenvolver atividades práticas em um hospital vinculado diretamente à Universidade, fortalecendo a articulação entre formação acadêmica e assistência. Em 1991, o hospital passou oficialmente a adotar a denominação Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Júnior. Em 1993, a FURG adquiriu o prédio que anteriormente era alugado da Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, ampliando a autonomia institucional do Hospital Universitário.
A Enfermagem e a formação de trabalhadores para a região
A atuação dos docentes da Enfermagem não se restringiu à formação universitária. A partir da legislação profissional da década de 1980 e diante das necessidades concretas do município, professores do curso participaram da criação de alternativas para qualificação dos trabalhadores de Enfermagem.
Em parceria com a Santa Casa do Rio Grande e a Secretaria Municipal da Saúde, foi implantado o Curso Supletivo de Qualificação Profissional para Auxiliar de Enfermagem. O curso funcionou de 1990 a 1997 e formou sete turmas. Posteriormente, diante da necessidade regional de técnicos de Enfermagem e das mudanças nas políticas de formação profissional, docentes do curso elaboraram uma proposta para criação de um Curso Técnico em Enfermagem em parceria com o Colégio Técnico Industrial da FURG.
A primeira turma iniciou em 2000. A formação técnica passou posteriormente a funcionar junto ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Rio Grande.
Essa experiência revela outra dimensão da história da Enfermagem na FURG: a preocupação com a qualificação de toda a força de trabalho em Enfermagem e não apenas com a formação do enfermeiro em nível superior.
Os anos 1990: a construção de uma identidade acadêmica
A década de 1990 representou uma profunda transformação. Durante os primeiros vinte anos, os professores enfermeiros estavam distribuídos em diferentes departamentos da Universidade: Medicina Interna; Materno-Infantil; Cirurgia; e Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis.
Essa organização refletia uma estrutura universitária na qual a Enfermagem ainda buscava consolidar seu espaço e sua identidade como campo específico de conhecimento. Um importante movimento de mudança ocorreu em 1993, com a criação da Rede de Pós-Graduação em Enfermagem da Região Sul – REPENSUL, envolvendo instituições como UFSC, FURG, UFRGS, UFPel, UFSM e UFPR.
A participação da FURG no mestrado interinstitucional da REPENSUL teve papel decisivo na qualificação dos docentes. Mais do que possibilitar a titulação, a experiência permitiu o desenvolvimento de competências em pesquisa, ensino e orientação acadêmica.
A REPENSUL pode ser compreendida como um dos embriões do futuro Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da FURG. Ao mesmo tempo, contribuiu para amadurecer entre os docentes a ideia de que a Enfermagem precisava de uma unidade acadêmica própria.
1994: nasce o NEPETE
Em 1994 foi criado o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trabalho e Enfermagem – NEPETE.
A criação de um núcleo dedicado à pesquisa representou mais um passo na transformação da Enfermagem de uma área predominantemente voltada à formação profissional para um campo acadêmico produtor de conhecimento. A partir de 1997, o núcleo passou a integrar o Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq com a denominação de Núcleo de Estudos e Pesquisas em Enfermagem e Saúde – NEPES.
Sua importância ultrapassou a produção científica. O núcleo contribuiu para aproximar graduação e pós-graduação e tornou-se espaço de acolhimento e integração para docentes em diferentes momentos de sua trajetória acadêmica. A pesquisa começava, assim, a ocupar lugar estruturante na identidade da Enfermagem da FURG.
1996: ESPENSUL e a formação no próprio serviço
Em 1996 teve início o Curso de Especialização em Projetos Assistenciais de Enfermagem – ESPENSUL.
A proposta apresentava uma característica inovadora: a especialização ocorria de forma articulada ao próprio local de trabalho dos enfermeiros. Com metodologia semipresencial e currículo flexível, o curso aproximava conhecimento acadêmico e prática profissional, fortalecendo a relação entre Universidade e serviços de saúde. A experiência demonstrava que a pós-graduação poderia ser utilizada não apenas para a titulação, mas também como instrumento de transformação concreta das práticas de cuidado.
1997: nasce o Departamento de Enfermagem
Em fevereiro de 1997, ocorreu uma mudança estrutural decisiva: foi criado o Departamento de Enfermagem.
Pela primeira vez, os docentes enfermeiros passaram a estar reunidos em uma única unidade acadêmica. A mudança produziu efeitos que ultrapassaram a organização administrativa. A reunião dos professores permitiu maior integração, fortaleceu a identidade profissional e garantiu maior autonomia nos processos decisórios relacionados aos rumos da Enfermagem na Universidade. O fortalecimento do corpo docente também repercutiu na produção de conhecimentos e ampliou a visibilidade da Enfermagem da FURG nos cenários local, regional, nacional e internacional. A criação do Departamento constituiu, portanto, uma espécie de ponte entre a primeira fase da história do curso e a futura criação da Escola de Enfermagem.
2001–2002: a pós-graduação stricto sensu transforma a Enfermagem da FURG
Em outubro de 2001, o Curso de Mestrado em Enfermagem recebeu aprovação e recomendação da CAPES.
Em 2002, tiveram início as atividades acadêmicas do mestrado, dando origem ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da FURG. Foi o primeiro programa de pós-graduação da área da saúde da Universidade. A criação do programa representou uma mudança de patamar institucional. A Enfermagem passava a formar não apenas profissionais, mas também pesquisadores capazes de produzir conhecimento e desenvolver tecnologias para a área da saúde.
Desde sua origem, o programa assumiu uma perspectiva coerente com a vocação da FURG: compreender a saúde e o processo de viver em relação com o ambiente e com o contexto socioambiental. O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem foi criado formalmente pela Deliberação nº 005/2002 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
2002: a organização administrativa também muda
A consolidação acadêmica foi acompanhada por mudanças na organização do trabalho universitário.
Em 2002 foi criada a Secretaria Geral das unidades educacionais. Os servidores técnico-administrativos em educação passaram a atuar de maneira mais articulada e contínua junto às chefias, docentes e estudantes. A história de uma unidade acadêmica não é feita somente pelos professores. Técnicos-administrativos, trabalhadores dos serviços, bolsistas, funcionários terceirizados e tantos outros profissionais também sustentam diariamente as atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração. Reconhecer essas pessoas é reconhecer que a memória institucional pertence a todos que ajudaram a construir a Escola.
2008–2009: nasce a Escola de Enfermagem
Em 15 de agosto de 2008, como parte de uma ampla proposta de mudança organizacional da FURG, foi aprovada a criação da Escola de Enfermagem como uma das treze Unidades Acadêmicas da Universidade. No mesmo ano, em 19 de dezembro, foi aprovada a criação do Curso de Doutorado em Enfermagem.
As atividades acadêmicas do doutorado tiveram início em abril de 2009, após a recomendação da CAPES. O ano de 2009 tornou-se, assim, especialmente simbólico: enquanto o doutorado ampliava a capacidade de produção de conhecimento da área, a Escola de Enfermagem se consolidava como unidade acadêmica autônoma.
É importante registrar essa transição historicamente: a Escola foi aprovada em 2008, dentro do processo de reorganização institucional, e sua consolidação como unidade acadêmica está vinculada à reestruturação universitária efetivada em 2009. A mudança significava mais do que uma alteração de nome. Representava o resultado de décadas de construção de identidade, qualificação docente, pesquisa, pós-graduação e inserção social.
2009: o PET Enfermagem e a formação para além da sala de aula
Também em 2009 foi implantado o Programa de Educação Tutorial – PET Enfermagem.
A iniciativa buscava produzir impacto positivo na graduação e ampliar a participação dos estudantes em atividades voltadas à comunidade. O PET passou a integrar ensino, pesquisa e extensão, oferecendo aos estudantes oportunidades de desenvolver projetos, aprofundar conhecimentos e experimentar formas de atuação socialmente comprometidas.
Essa perspectiva dialogava com uma concepção de formação que se tornaria cada vez mais característica da Escola: o enfermeiro não é formado apenas para executar procedimentos, mas para compreender pessoas, comunidades, políticas de saúde, processos sociais e os diferentes determinantes do processo saúde-doença.
2010: a formação em residência e a consolidação da interdisciplinaridade
Em 2010, a Escola de Enfermagem ampliou sua atuação na formação de profissionais de saúde com a criação de programas de residência multiprofissional.
No primeiro semestre daquele ano foi criado o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, coordenado pela Escola de Enfermagem e construído em parceria com diferentes unidades acadêmicas da FURG e com a Secretaria Municipal da Saúde. A proposta tinha como eixo a formação de profissionais críticos, capazes de trabalhar interdisciplinarmente e atuar na atenção básica do Sistema Único de Saúde.
No mesmo ano foi criada a Residência Integrada Multiprofissional Hospitalar, com ênfase na Atenção à Saúde Cardiometabólica do Adulto – RIMHAS, envolvendo docentes da Escola de Enfermagem, outras unidades da Universidade e trabalhadores do Hospital Universitário.
A residência ampliou a relação entre formação, trabalho e assistência e consolidou a compreensão de que o cuidado em saúde exige diálogo entre diferentes saberes profissionais.
A pesquisa como dimensão estruturante
Com o mestrado, o doutorado, os grupos de pesquisa e a qualificação progressiva do corpo docente, a pesquisa passou a ocupar posição central na identidade da Escola de Enfermagem. O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem atualmente está organizado em torno de linhas que refletem problemas centrais da profissão e da saúde:
Tecnologias da Enfermagem e Saúde a Indivíduos e Grupos Sociais;
O Trabalho da Enfermagem e Saúde;
Ética, Educação e Saúde.
Essas linhas expressam uma característica histórica da produção científica da Enfermagem da FURG: a preocupação com o cuidado, o trabalho profissional, a formação, a ética, as tecnologias, as políticas de saúde e as condições de vida da população em seus contextos socioambientais. O Programa de Pós-Graduação possui hoje mestrado e doutorado e também desenvolve atividades de pós-doutoramento. O doutorado, aprovado em 2008 e iniciado em 2009, foi também pioneiro na área da saúde da FURG.
A Escola diante da pandemia de COVID-19
A história recente da Escola também foi marcada pela pandemia de COVID-19.
Em 2020, a Enfermagem esteve entre as áreas diretamente mobilizadas para responder à emergência sanitária. A Escola elaborou materiais educativos, orientações para diferentes grupos populacionais e conteúdos destinados aos serviços de saúde.
Entre as iniciativas estiveram materiais de orientação para gestantes, parturientes e puérperas, conteúdos educativos sobre prevenção da COVID-19, infográficos destinados à população, materiais para escolas e um e-book voltado à assistência ao paciente cirúrgico no contexto da pandemia.
A Escola também participou de ações institucionais relacionadas ao planejamento da retomada acadêmica e da organização das atividades universitárias durante a emergência sanitária. A pandemia tornou visível, mais uma vez, uma característica histórica da Enfermagem da FURG: a capacidade de transformar conhecimento científico em orientação e cuidado para a comunidade.
Ensino, pesquisa, extensão e território
Ao longo de sua trajetória, a Escola de Enfermagem consolidou uma concepção de formação baseada na integração entre ensino, pesquisa e extensão.
Essa característica se manifesta nos estágios curriculares, nos projetos de extensão, nos grupos de pesquisa, nas residências, no PET, nas ações junto às escolas, nas unidades básicas de saúde, nos hospitais e nas diferentes iniciativas realizadas em parceria com instituições públicas e comunitárias.
A relação com o território é particularmente significativa.
Rio Grande possui características sociais, econômicas, ambientais e culturais próprias. Como Universidade inserida em um município costeiro e portuário, a FURG assumiu o ecossistema costeiro como uma de suas marcas institucionais.
A Enfermagem incorporou essa perspectiva ao compreender saúde e doença não como fenômenos isolados, mas como processos relacionados às condições de vida, ao ambiente, ao trabalho, às relações sociais e às políticas públicas.
A Escola tornou-se, assim, simultaneamente espaço de formação profissional e espaço de diálogo com a realidade regional.
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